Conceito de raça
Etnologicamente, o conceito de raça veio do italiano razza, que por sua vez veio do latim ratio, que significa sorte, categoria, espécie. Na história das ciências naturais, o conceito de raça foi primeiramente usado na Zoologia e na Botânica para classificar as espécies animais e vegetais. Foi neste sentido que o naturalista sueco, Carl Von Linné conhecido em Português como Lineu (1707-1778), o usou para classificar as plantas em 24 raças ou classes, classificação hoje inteiramente abandonada.
Para e sociedade da França da época, foi utilizado pela nobreza local que si identificava com os Francos, de origem germânica em oposição aos Gauleses, população local identificada com a Plebe. Não apenas os Francos se considerava como uma raça distinta dos Gauleses, mais do que isso, eles se consideravam dotados de sangue “puro”, insinuando suas habilidades especiais e aptidões naturais para dirigir, administrar e dominar os Gauleses, que segundo pensavam, podiam até ser escravizados.
Percebe-se como o conceito de raças “puras” foi transportado da Botânica e da Zoologia para legitimar as relações de dominação e de sujeição entre classes sociais (Nobreza e Plebe), sem que houvessem diferenças morfobiológicas notáveis entre os indivíduos pertencentes a ambas as classes.
Assim podemos definir raça como sendo:
Uma população mais ou menos isoladas, que difere das outras populações da mesma espécie pela frequência de características hereditárias.
Os principais mecanismos de raciação (formação de raças) são o isolamento, as mutações, a selecção natural e a selecção social.
Para haver uma raça, é necessário que uma dada população permaneça isolada por longo tempo (centenas de gerações), durante o qual os cruzamentos ocorrem apenas entre indivíduos dessa mesma população. Isso não acontece na população mundial, e provavelmente nunca aconteceu, com excepção talvez de habitantes de algumas ilhas e num passado remoto, o isolamento entre grupos humanos sempre foi relativo, graças as migrações de uma área para outra. Em todas essas formas de contacto sempre houve miscigenação.
O conceito de raças é biológico e não deve ser confundido com noções culturais, sociais ou psicológicas. No ser humano, ao contrário do que ocorre nos outros animais, os elementos biológicos, embora exerçam influência, não determinam a vida do indivíduo.
Não se deve empregar o termo raça como sinónimo de povo, nação ou grupo linguístico, como às vezes ocorre. Um povo é um conjunto de pessoa que se identificam pela língua, costumes, tradições, ter uma história comum (como os ciganos, os judeus, arménios, etc.) Já nação, é entendido como Estado – nação, país, ou seja um agrupamento de pessoas que vive num certo território tendo leis e governos próprios.
O racismo
Criado por volta de 1920, o racismo enquanto conceito e realidade já foi objecto de diversas leituras e interpretações. Já recebeu várias definições que nem sempre dizem a mesma coisa, nem sempre têm um denominador comum. Quando utilizamos esse conceito em nosso quotidiano, não lhe atribuímos mesmos conteúdo e significado, daí a falta do consenso até na busca de soluções contra o racismo.
Por razões lógicas e ideológicas, o racismo é geralmente abordado a partir da raça, dentro da extrema variedade das possíveis relações existentes entre as duas noções. Com efeito, com base nas relações entre “raça” e “racismo”, seria teoricamente uma ideologia essencialista que postula a divisão da humanidade em grandes grupos chamados raças contrastadas que têm características físicas hereditárias comuns, sendo estas últimas suportes das características psicológicas, morais, intelectuais e estéticas e se situam numa escala de valores desiguais.
Visto deste ponto de vista, o racismo é uma crença na existência das raças naturalmente hierarquizadas pela relação intrínseca entre o físico e o moral, o físico e o intelecto, o físico e o cultural. O racista cria a raça no sentido sociológico, ou seja, a raça no imaginário do racista não é exclusivamente um grupo definido pelos traços físicos. A raça na cabeça dele é um grupo social com traços culturais, linguísticos, religiosos, etc. que ele considera naturalmente inferiores ao grupo o qual ele pertence.
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Podemos de uma forma resumida definir o racismo como:
A tendência para desvalorizar certos grupos (étnicos, culturais ou sociais), atribuindo-lhes características inferiores às de um outro considerado “superior”. O pensamento racista não tem nenhuma base científica apresentando erros grosseiros de lógica e de informação. Assim, confunde raça com nação, povo, cultura ou grupo linguístico, atribuindo a factores raciais comportamentos que nada têm a ver com a raça, mas que são condicionados pela cultura.
Por trás do racismo normalmente existem motivos políticos e económicos, que são ligados a exploração d Um exemplo de racismo foi o sistema de apartheid (segregação racial) da África do Sul, que entrou em crise em anos 80 e terminou no início dos anos 90. Havia uma grande discriminação contra os negros e outras etnias importantes que habitavam o país: clubes, escolas e até praças especiais só para os brancos; calçadas para os brancos e outras para as demaisonde os moradores nem sequer podiam convidar amigos para hospedá-los, etc.
O apartheid existia justamente para tentar impedir que a população africana se organizasse e reivindicasse maiores direitos, podendo assim eventualmente terminar com os privilégios da minoria dominante.
O novo racismo é o que atinge as populações imigrantes, oriundas de países pobres, nas sociedades desenvolvidas. Esse racismo não tem como alvo só os negros, mas todos os povos do Hemisfério Sul de uma maneira geral.